Dentro destas fronteiras, me movimentava eu, na flor dos meus 16 anos,
querendo mais é saber de tirar de 8 pra cima nas matérias do Instituto de Educação General Flores da Cunha, embaraçar o cabelo e criar aquele paredão no chanel de subúrbio que eu cortava e de curtir coração batendo enlouquecido quando via algum guri que me interessava.
Sem falar nas descobertas, c0mo aquela vez em que a Nara levou para aula uma camisinha que roubou do irmão e fez um balãozinho para jogar dentro da aula!
Ah, tempinho. Estão vendo a parada de sucesso da época? Que importa o mês! Me importa que Roberto Carlos estava em primeiro com aquele rame-rame do Eu te amo, eu te amo, eu te amo mas já tinha nos calcanhares o Paulo Sérgio com a Última Canção - e não ia demorar muito pro cara se apagar mesmo, credo, de derrame, com menos de 40 anos.
E, impossível deixar de lado, nossos astros da TV, que continuam impávidos. Carlos Alberto já subiu faz tempo, mas Glória Menezes, graças ao botox, ao estica e puxa e aos preenchedores labiais que a deixaram com cara de peixe, continua no ar. Leiam no cartaz: cenas externas tomadas no Haiti! Não é de hoje que a platinada é metida a besta e gasta dinheiro pra caramba com novela.
E aqui está a outra metade da maçã de Glória, o galã Tarcísio Meira, com seu topete, ainda hoje em pé (pelo menos o topete tem de estar, Deus é pai - desculpem a piada, não resisti e quem sabe dele é dona Glória!), e a Ioná Magalhães que hoje tá tão, mas tão repuxada, que parece que está sempre de boca entreaberta, querendo morder alguém.
Então, surgiu uma alternativa pro cinema fechado, aquele em que a gente trocava gibi, ia na matinê e via dois ou três seriados antes do filme, que as vezes se dividia em duas partes: surgiu o motel de rua, quer dizer, o cinema ao ar livre. Primeiro no Rio, claro, para aproveitar o bom tempo, e depois em São Paulo, o tal auto-cine também teve filiais por aqui, mais tarde. Muito nenê foi gerado em meio a uma pipoca e um gole de grapette. Eu hem!
Yes. E nós viramos notícia nacional porque fabricamos uma pista de esqui artificial aqui em Garibaldi. Era um tal de bunda ralada, mão esfolada no polietileno que vou te contar. Mas como era chique ir lá esquiar! Quem não tem Spa caça com Garibaldi, pensava o povo daqui. E vinha turista, também. Nem asfalto tinha pra ir a Garibaldi, mas a pista estava lá, e nem que tivesse o maior sol, o povo botava casaco e blusa grossa pra deslizar lomba abaixo.
E o Oswaldo Nunes, com aquela barriga obcena, cantando Segura esse Samba, Ogunhê! Também já foi, assassinado - Jesus!
E a cara de pau do grupo Os Incríveis em gravar uma música em japonês: kokorono niji, que depois seria aproveitada num comercial da Varig. Pior que a gente cantava! Nem sabia o que queria dizer aproximadamente. Mas cantava com todo entusiasmo.
E meu querido Wilson Simonal, com Sá Marina! Essa, sim, eu cantava de cor e salteado, embaladíssima.










